
LIPOR – Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto
Estratégia 2M - menos resíduos, menos carbono
A LIPOR, Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos, é a entidade responsável pela gestão, valorização e tratamento dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) produzidos nos oito Municípios seus associados: Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Valongo e Vila do Conde. A LIPOR gere mais de 500.000 toneladas de resíduos por ano, produzidos por cerca de 1.000.000 de habitantes.
O sector dos resíduos pode desempenhar um papel importante nos esforços de mitigação das alterações climáticas. As emissões associadas à gestão de resíduos podem ser significativamente reduzidas através da prevenção da produção de resíduos, da valorização multimaterial, da valorização orgânica, da utilização de resíduos como fonte de energia e da adopção de procedimentos de operação que garantam um melhor controlo de emissões.
A LIPOR entende como inerente ao seu compromisso de desenvolvimento sustentável a plena integração da questão das alterações climáticas na sua estratégia de negócio.
A estratégia 2M – menos resíduos, menos carbono consubstancia a abordagem da LIPOR à questão das alterações climáticas e carbono, naquela que é a resposta voluntária da organização aos desafios que o tema coloca e ao desenvolvimento da sua actividade. A definição da estratégia LIPOR 2M é resultado de uma reflexão em torno dos riscos e oportunidades que as alterações climáticas representam para a organização e da forma como os mesmos podem ser integrados na estratégia de negócio.
Na sequência do desenvolvimento deste projecto, foram definidos três objectivos:
O Compromisso 2M: 12-16-20
O Conselho de Administração LIPOR comprometeu-se publicamente em realizar todos os esforços para diminuir a Pegada Carbónica da LIPOR. Este compromisso está bem espelhado nas metas definidas:
Trabalhando em estreita ligação com os parceiros e partes interessadas e com a participação e compromisso dos cidadãos e da sociedade, estes objectivos serão atingidos!
As emissões totais da LIPOR apresentam-se na tabela seguinte (t CO2e):
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2006 |
2007 |
2008 |
2009 |
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Âmbito 1 – Emissões Directas |
401.011 |
425.277 |
386.185 |
386.104 |
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Âmbito 2 – Emissões Indirectas (electricidade) |
1.749 |
2.245 |
2.688 |
3.566 |
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Âmbito 3 – Outras Emissões Indirectas |
47 |
169 |
143 |
143 |
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Emissões totais LIPOR |
402.807 |
427.691 |
389.016 |
389.812 |
De referir que as emissões directas referem-se às emissões que ocorrem em fontes propriedade da LIPOR, as emissões indirectas são as associadas às emissões resultantes do processo de produção da electricidade que efectivamente foi consumida pela LIPOR e as outras emissões indirectas referem-se às emissões que resultaram das viagens de serviço (avião, comboio, automóvel, etc.).
Plano de Acção:
A LIPOR está a trabalhar num conjunto de iniciativas no terreno, nomeadamente:
IGEM (incentivo à gestão de emissões de metano)
Eficiência energética
· Substituição de telhas do Centro de Triagem (unidade operacional) para maior aproveitamento da luz natural;
· Desactivação de luminárias nas instalações LIPOR;
· Aproveitamento do biogás;
· Racionalização dos níveis de iluminação no Edifício Administrativo da LIPOR.
Utilização de combustíveis alternativos
Formação e sensibilização
Compensação de emissões inevitáveis
Mensagens Chave da Estratégia 2M
▪menos resíduos = menos carbono
Otratamento de resíduos é, simultaneamente, responsável pela emissão de GEE e um instrumento para a sua mitigação pois, na óptica da gestão de resíduos, diferentes opções de gestão implicam diferentes níveis de emissão;
▪Cidadão: papel decisivo
O cumprimento das metas de redução de emissões assumidas pela LIPOR só é possível com o contributo dos cidadãos, minimizando a produção de resíduos e separando os resíduos para devido encaminhamento para reciclagem e valorização orgânica;
▪liderança: a LIPOR reconhece e assume a importância do tema clima na sua estratégia empresarial , por essa razão aposta na Estratégia 2M e posiciona-se como referência no sector dos resíduos em Portugal.
Saiba mais em www.lipor.pt
Metodologia
Para a avaliação das emissões de GEE da LIPOR foi considerado como ano base o ano de 2006. Este facto prende-se não só com a qualidade dos dados consolidados para esse ano, como também pelo facto de ser o ano zero da revisão do Plano Estratégico para a Gestão Sustentável de Resíduos da LIPOR.
No entanto, todos os anos anteriores, até 1982, foram contabilizados, uma vez que foi necessário contabilizar as emissões da deposição em aterro. Todas estas emissões foram calculadas utilizando a metodologia de “First Order Decay (FOD)”, contabilizando as emissões anuais e tendo em atenção resíduos depositados em anos anteriores. Esta metodologia foi utilizada uma vez que é mais rigorosa.
Tentando manter a estreita ligação entre a Estratégia 2M e o Plano Estratégico, foram calculadas estimativas para os anos chave do plano estratégico, nomeadamente 2012 e 2016. O ano de 2020 foi considerado de modo a acompanhar o desenvolvimento da Estratégia Europeia 20-20-20.
As emissões avaliadas incluem todas as infra-estruturas e actividades principais, nomeadamente o confinamento técnico (incluindo a queima do biogás), a valorização energética, a compostagem e a triagem.
Foram também consideradas as emissões das actividades complementares, como a mobilidade e os transportes (os consumos da frota, as viagens de serviço, …) e o consumo de energia (electricidade, gás natural e outros combustíveis).
A actividade de recolha de resíduos continua, na grande maioria dos casos, a ser da responsabilidade dos municípios associados da LIPOR, motivo pelo qual não foi incluída para efeitos de contabilização. Esta inclusão será objecto de discussão no futuro.
Para se ter uma visão completa da pegada carbónica da LIPOR, foi fundamental contabilizar também as emissões evitadas pelos nossos processos.
Neste caso foram considerados, por exemplo, o potencial de produção de electricidade e de utilização do biogás como a principal contribuição para a redução de emissões de GEE, as emissões evitadas pela produção de electricidade, que irá substituir a produção a partir de combustíveis fósseis e as emissões associadas à reciclagem de materiais e à utilização de composto na agricultura (substituindo a utilização de fertilizantes químicos).
Para a realização dos cálculos de emissões foram utilizadas as metodologias do “Greenhouse Gas Protocol” do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e do World Resources Institute (WRI). Os factores de emissões utilizados são os propostos pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).
Foram considerados na contabilização os seis gases com efeito de estufa (GEE) apontados no Protocolo de Quioto. Como os gases f (HFC, PFC e SF6) não são relevantes na actividade da LIPOR, só foram considerados nos cálculos o CO2, o CH4 e o N2O.
Para a compensação das emissões foi seleccionado uma área na serra da Peneda Gerês. Este projecto carbonozero do parque nacional da Peneda Gerês abrange duas áreas com características distintas: uma plantação de carvalho na mata nacional do Gerês (concelho de Terras de Bouro) e uma nova plantação de pinheiro bravo e carvalhos na freguesia de Cabril (concelho de Montalegre).
Este projecto foi também seleccionado por ser uma zona próxima da área de implantação da LIPOR e portanto um projecto de desenvolvimento regional.
Todos os resultados serão apresentados em termos de CO2eq para facilitar a comparação com outros estudos e trabalhos semelhantes.